Tropeiros no Brasil

Tropeiros no Brasil

Tropeiros no Brasil

A palavra "tropeiro" deriva de tropa, numa referência ao conjunto de homens que transportavam gado e mercadoria no Brasil colônia. O termo tem sido usado para designar principalmente o transporte de gado da região do Rio Grande do Sul até os mercados de Minas Gerais, posteriormente São Paulo e Rio de Janeiro, porém há quem use o termo em momentos anteriores da vida colonial, como no "ciclo do açúcar" entre os séculos XVI e XVII, quando várias regiões do interior nordestino se dedicaram a criação de animais para comercialização com os senhores de engenho.

Nos Séculos XVII e XVIII, os tropeiros eram partes da vida da zona rural e cidades pequenas dentro do sul do Brasil. Vestidos como gaúchos com chapéus, ponchos, e botas, os tropeiros dirigiram rebanhos de gado e levaram bens por esta região para São Paulo, comercializados na feira de Sorocaba. De São Paulo, os animais e mercadorias foram para os estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Em direção às minas, o transporte feito no lombo de animais foi fundamental devido aos acidentes geográficos da região, que dificultavam o transporte. Já para as regiões de Goiás e Mato Grosso, a maioria dos produtos eram transportados através dos rios, nas chamadas monções.

É difícil definir os homens que se dedicavam a esta atividade. Muitos homens de origem paulista, vicentina, ou seus descendentes, se tornaram tropeiros, assim como muitos homens de origem portuguesa.

O fato de a Capitania de São Vicente ter prosperado de forma limitada, obrigou muitos de seus habitantes a subirem a serra e a se fixarem no planalto. Assim surgiu a vila de São Paulo, formada por uma camada pobre, que abandonara o litoral. A economia precária baseada numa agricultura de subsistência determinou a necessidade de atividades complementares, originando o bandeirismo, porém nem todo homem paulista tornou-se bandeirante. Muitos que inicialmente se dedicaram ao apresamento indígena, se fixaram em terras no sul e, com o passar do tempo, foram se integrando ao pequeno comércio, praticado no lombo de mulas.

Contando com uma população composta por homens de origem vicentina e portuguesa, a vila de Laguna era o ponto extremo do litoral brasileiro e dela partiram muitas famílias para outras áreas do interior do sul, também preocupadas com o apresamento indígena num primeiro momento, e que tomaram contato com a criação de gado, praticada nas missões jesuíticas.

A própria história do Rio Grande do Sul deu origem a elementos que se dedicariam ao tropeirismo. A necessidade de povoar a região, segundo interesses dos portugueses, fez com que o governo real facilitasse o acesso à terra e garantisse um elevado grau de liberdade e autonomia para a região, fato que, teve como uma de suas conseqüências o predomínio da grande propriedade no século 17, que beneficiava poucas famílias e marginalizava grande parte do sociedade que ali se formava.

O tropeiro iniciava-se na profissão por volta dos 10 anos, acompanhando o pai, que era o negociante (compra e venda de animais) o condutor da tropa. Usava chapelão de feltro cinza ou marrom, de abas viradas, camisa de cor similar ao chapéu de pano forte, manta ou beata com uma abertura no centro, jogada sobre o ombro, botas de couro flexível que chegavam até o meio da coxa para proteger-se nos terrenos alagados e matas.

Tropeiros no Brasil

No Rio Grande, a cidade de Viamão tornou-se um dos principais centros de comércio e formação de tropas que tinham como destino os mercados de São Paulo. Porém de outas regiões do sul partiam as tropas, quase sempre com o mesmo destino. Nesses trajetos, os tropeiros procuravam seguir o curso dos rios ou atravessar as áreas mais abertas, os "campos gerais" e mesmo conhecendo os caminhos mais seguros, o trajeto envolvia várias semanas. Ao final de cada dia era acesso o fogo, para depois construir uma tenda com os couros que serviam para cobrir a carga dos animais, reservando alguns para colocar no chão, onde dormiam envoltos em seu manto. Chamava-se "encosto" o pouso em pasto aberto e "rancho" quando já havia um abrigo construído. Ao longo do tempo os principais pousos se transformaram em povoações e vilas. É interessante notar que dezenas de cidades do interior na região sul do Brasil e mesmo em São Paulo, atribuem sua origem a atividade dos tropeiros.

A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, feijão preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité (um molho de vinagre com fruto cáustico espremido). Nos pousos comiam feijão quase sem molho com pedaços de carne de sol e toucinho (feijão tropeiro) que era servido com farofa e couve picada. Bebidas alcoólicas só eram permitidas em ocasiões especiais: quando nos dias muitos frios tomavam um pouco de cachaça para evitar constipação e como remédio para picada de insetos.

O tropeiro montava um cavalo que possuía sacola para guardar a capa, a sela apetrechada, suspendia-se em pesados estribos e enfeitava a crina com fitas. Chamavam "madrinha" o cavalo ou mula já envelhecida e bastante conhecida dos outros animais para poder atraídos era a cabeça da tropa e abria o percurso, com a fila de cargueiros à sua retaguarda; "malotagem" eram os apetrechos e arreios necessários de cada animal e acondicionamento da carga e "broaca" os bolsões de couro que eram colocados sobre a cangalha e serviam para guardar a mercadoria.

Em torno dessa atividade primitiva nasceram e viveram com largueza várias profissões e indústrias organizadas, como a de "rancheiro", proprietários de "rancho" ou alojamento em que pousavam as tropas. Geralmente não era retribuída a hospedagem, cobrando o seu proprietário apenas o milho e o pasto consumidos pelos animais, porque as tropas conduziam cozinhas próprias. A profissão de ferrador também foi criada pelas necessidades desse fenômeno econômico-social, consistindo ela em pregar as ferraduras nos animais das tropas e acumulando geralmente a profissão de aveitar ou veterinário. A incumbência de domar os animais ainda chucros era também uma decorrência do regime de transportes e chamavam-se "paulistas", porque conduziam ao destino os animais adquiridos em Sorocaba.

Tropeiros no Brasil

No norte de Minas "paulista", "peão" e "amontador" eram sinônimos, mas tinham significação específica. Assim é que "paulista" era o indivíduo que amansava as bestas à maneira dos peões de São Paulo. Peão era todo amansador de eqüinos e muares à moda do sertão, e amontador era apenas o que montava animais bravios para efeito de quebrar-lhes o ardor. Depois é que vinha o "acertador", homem hábil e paciente, que ensinava as andaduras ao animal e educava-lhe a boca ao contato do freio. É a mais nobre de todas.

História de Portugal

História de Portugal

História de Portugal

No século XI, mais precisamente em 1096, Dom Afonso VI, rei de Leão, quis recompensar D. Henrique de Borgonha pelo auxílio prestado na luta contra os mouros. Para isso, prometeu em casamento sua filha Teresa, dando-lhe como dote o Condado Portucalense. Este condado abrangia as terras entre os rios Minho e Douro. Logo, Dom Henrique tentou tornar-se independente do reino de Leão, mas não conseguiu.

Após sua morte, em 1112, sucedeu-lhe sua esposa, Dona Teresa. Em 1128, depois de travar a batalha de S. Mamede, Dom Afonso Henriques, filho de Dona Teresa e do conde Dom Henrique, tomou as rédeas do poder do Condado Portucalense, procurando realizar o sonho de seu pai – a independência do condado.

Tratado de Zamora

Tratado de Zamora

Para levar seu plano adiante, investiu contra seu primo Dom Afonso VII, rei de Leão e Castela, e venceu-o nas batalhas de Cerneja e de Arcos de Valdevez. Estas duas batalhas deram a Dom Afonso Henriques a vitória que levou à assinatura de um tratado de paz entre os dois primos – o “Tratado de Zamora“, em 1143 (século XII).

Após este tratado, o Condado Portucalense tornou-se independente e passou a se chamar Reino de Portugal. Dom Afonso Henriques foi o seu primeiro rei.

Liberto do rei de Leão e Castela, o primeiro monarca português, e seus sucessores, aumentaram o território português após conquistar terras dos mouros que foram expulsos do Algarve, por D. Afonso III em 1249. Conquistaram cidades como Leiria, Santarém, Lisboa, Alcácer do Sal e Évora.

Crise de sucessão
Em 1580, o reino de Portugal perdeu autonomia com uma crise de sucessão, o que resultou na União Ibérica com a Espanha. Em 1640 foi restabelecida a independência com a nova dinastia de Bragança.

Criação da constituição e início da Monarquia
O terremoto de 1755 em Lisboa e invasões espanholas e francesas resultaram em instabilidades políticas e econômicas. A aprovação da Constituição de 1822, resultado da Revolução Liberal de 1820, marcou o início da Monarquia Constitucional de Portugal.

Os reis mais famosos da história de Portugal
Quer conhecer um pouco mais da história de Portugal através de seus principais monarcas? Saiba quais foram os reis que mais marcaram a história do país.

Dom Afonso Henriques
Foi o primeiro rei de Portugal. Lutou contra a mãe, D. Teresa, para conseguir a independência de Portugal, alargou o território e esperou mais de 30 anos para ver o país reconhecido oficialmente como uma nação.

Quer conhecer melhor como as regiões e divisões de Portugal? Veja o que já falamos sobre o assunto e fique a entender como o país se divide.

Dom Dinis
Foi um dos monarcas mais cultos de Portugal. É conhecido com o “lavrador” pelo importante contributo que deu para o desenvolvimento da agricultura no país e como o “Rei Poeta” pelo seu trabalho ligado às letras. Associado à fundação da Universidade de Coimbra, a primeira instituição de ensino superior do país.

D. João I
Graças a ele se deu início à segunda dinastia em Portugal. Chefiou a revolução de 1383, que culminou com o assassinato do Conde Andeiro no Paço de Limoeiro, em Lisboa. Ao negar-se a submeter-se às forças castelhanas, o povo, a nobreza e o clero declararam-no rei em Coimbra nas cortes de 1385. D. João I é associado ao início das grandes proezas marítimas.

D. João II
No trono desde 1481, D. João II (1455-1495) levou a cabo uma política coerente, determinada pela razão de Estado. O rei deixou de ser o primeiro dos nobres e passou a ficar acima da nobreza. Pela primeira vez uma pessoa influente era condenada à morte em frente ao povo, sendo acusado de conspirar, com o apoio dos Reis Católicos, contra o rei português.

D. João V
Foi o rei mais abastado da história de Portugal, após aplicar o famoso imposto designado de “O quinto”. Esta medida consistia em que 20% do ouro explorado no Brasil pertencesse ao rei. Sua riqueza foi investida em espaços como Palácio de Mafra, Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra e Aqueduto das Águas Livres, que hoje são referências do patrimônio cultural português.

D. Maria II
Vivia no Brasil quando foi anunciada como a futura rainha de Portugal, com apenas 8 anos, em 1826. D. Pedro IV renunciou ao cargo, passando o trono para a filha Maria. No trono, a Rainha teve de lidar com os grupos vitoriosos da Guerra Civil de 1834, que faziam de tudo para ter mais poder.

D. Carlos
Chegou ao poder em 1889 e foi assassinado junto ao seu filho Luíz Filipe em 1908 no Terreiro do Paço. Quando chegou ao trono tinha como missão abrir um novo ciclo político em Portugal e tornar o país mais moderno. O seu reinado foi marcado pelo caso mapa cor de rosa, pela força crescente do grande rival, o partido Republicano, e pela nomeação de João Franco como chefe do governo.

O fim da monarquia e a implantação da República
O último Rei de Portugal, D. Manuel II, foi deposto por um golpe de estado conhecido como Revolução de 5 de outubro de 1910 e exilou-se no Reino Unido.

Após a relutância do exército em combater os cerca de dois mil soldados e marinheiros revoltosos, a República foi proclamada às 9 horas da manhã do dia seguinte da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa.

Após a revolução, um governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911 que deu início à Primeira República. Com a implantação da República, foram substituídos os símbolos nacionais: o hino nacional, a bandeira e a moeda.

História econômica de Portugal
A história de Portugal abrange o desenvolvimento da economia ao longo da história Portuguesa. Suas raízes estão no período de ocupação romana, durante o qual as províncias da Lusitânia e Galécia atuavam na próspera economia da Hispânia como produtores e exportadores do Império Romano. Esta fase continuou sob o domínio dos Visigodos, depois o domínio dos mouros, até a criação do Reino de Portugal, em 1139.

O sonho do primeiro império global
No fim da Reconquista portuguesa e a integração na economia europeia na Idade Média, os portugueses estavam na vanguarda da exploração marítima na era das descobertas, com objetivos de tornar-se o primeiro império global. Durante o Renascimento, Portugal tornou-se a principal potência econômica mundial.

Perda das colônias e início da ditadura
Em 1822, Portugal perdeu a sua principal colônia, o Brasil. Além disso, reivindicações territoriais portuguesas na África foram questionadas durante a Partilha da África. Problemas políticos e econômicos a partir dos últimos anos da monarquia e durante a Primeira República, de 1910 a 1926, levaram à instalação da Ditadura Nacional em 1926.

O Ministro das Finanças, António de Oliveira Salazar, conseguiu a disciplina da economia portuguesa, que evoluiu para um regime corporativo e de partido único em 1933, o Estado Novo.

Revolução dos Cravos
Em 25 de abril de 1974, um golpe conduzido pelas Forças Armadas derrubou o regime ditatorial de Portugal, conhecido como Estado Novo. Diante da pressão dos militares, que contavam com o apoio da população, o primeiro-ministro Marcelo Caetano, sucessor de Salazar, se rendeu.

A Junta de Salvação Nacional – composta por militares do Movimento das Forças Armadas, que liderou o golpe – nomeou o presidente da república e o primeiro-ministro que formaram o governo provisório, iniciando-se o período conhecido como PREC – Processo Revolucionário em Curso. Dois anos depois, em abril de 1976, entrou em vigor uma nova constituição democrática e aconteceram as primeiras eleições legislativas da nova república.

Comunidade Econômica Europeia
Em 1986, Portugal entrou na Comunidade Econômica Europeia e saiu da EFTA. Em 1999, adotou o euro como moeda oficial. Desde que passou a integrar a União Europeia, Portugal apresentou um grande desenvolvimento econômico e uma profunda transformação.

Economia de Portugal atualmente
A economia de Portugal é bem diversificada, baseada na iniciativa privada de empresas bem estruturadas, desde grandes multinacionais à pequenas empresas. O turismo responde por cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a pesca e a agricultura por cerca de 4% cada.

Portugal extrai de suas terras carvão, cobre, ferro enxofre, tungstênio e pequenas quantidades de ouro e prata. A indústria é muito importante na economia portuguesa e emprega aproximadamente 32% da população ativa. As principais indústrias são a de alimentos processados, têxteis, maquinaria, produtos químicos, produtos de lã, cristal e cerâmica, petróleo refinado e material de construção.

História de Fátima e o Milagre Religioso em Portugal

História de Fátima e o Milagre Religioso em Portugall

História de Fátima e o Milagre Religioso em Portugal

Fátima é uma cidade portuguesa situada na Serra de Aire, na província da Beira Litoral, região do Centro (Região das Beiras) e sub-região do Médio Tejo. Possui 71,29 km² de área e cerca de 12.500 habitantes.

Devido ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, situado no lugar da Cova da Iria, Fátima tornou-se num dos mais importantes destinos internacionais de turismo religioso, recebendo cerca de seis milhões de pessoas por ano.

O milagre religioso
A sua fama mundial deve-se ao relato das aparições da Virgem Maria reportadas por três pastorinhos entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917.

Um dos capítulos importantes da história de Portugal, foi na Capela das Aparições que a Virgem apareceu, perto de uma azinheira, no dia 13 de maio de 1917. A árvore acabou destruída, por conta do grande número de peregrinos que arrancava seus galhos.

Em seu lugar fica a famosa imagem da Nossa Senhora. Todos os dias há várias missas em diferentes idiomas e uma área reservada para as pessoas acenderem velas.

Basílica da Santíssima Trindade
A Basílica da Santíssima Trindade foi inaugurada em 2007 para receber melhor os fiéis. Em parte, ela substituiu a Basílica da Nossa Senhora de Fátima, onde estão enterrados os três pastorinhos. Na cidade, é possível ainda visitar a antiga Basílica de Nossa Senhora de Fátima, que foi construída em 1953.

História da Argentina

História da Argentina

História da Argentina

A História da Argentina pode ser dividida em quatro partes principais: a época pré-colombiana ou a história antiga (até o século XVI), o período colonial (1530-1810), o período de construção da nação (1810-1880) e a história da Argentina moderna (por volta de 1880).

A pré-história no território atual da Argentina começou com os primeiros assentamentos humanos no extremo sul da Patagônia, há cerca de 13.000 anos. A história escrita começou com a chegada dos cronistas espanhóis na expedição de Juan Díaz de Solís em 1516 ao Rio da Prata, que marca o início da ocupação espanhola da região.

Em 1776, a Coroa espanhola estabeleceu o Vice-reinado do Rio da Prata, um conjunto de territórios a partir dos quais, com a Revolução de maio de 1810, iniciou um processo de formação gradual de vários estados independentes, incluindo um chamado Províncias Unidas do Rio de la Plata Com a declaração de independência em 9 de julho de 1816 e a derrota militar do Império Espanhol em 1824, um estado federal foi formado em 1853-1861, conhecido hoje como República da Argentina.

Era pré-colombiana
A área hoje conhecida como Argentina era relativamente pouco povoada até o período da colonização europeia. Os primeiros vestígios da vida humana são datados do período paleolítico, e há outros sinais no Mesolítico e no Neolítico. No entanto, grandes áreas do interior e do Piemonte foram aparentemente despovoadas durante um extenso período seco entre 4000 e 2000 a.C.

O arqueólogo uruguaio Raúl Campá Soler dividiu os povos indígenas na Argentina em três grupos principais: caçadores básicos e coletores de alimentos, sem o desenvolvimento da cerâmica; coletores e caçadores avançados; e fazendeiros básicos com cerâmica. O segundo grupo podia ser encontrado nos pampas e ao sul da Patagônia, e o terceiro incluía os rios Charrúa e Minuane e os guaranis.

Os principais grupos étnicos incluíam os Onas em Tierra del Fuego, Yámana no arquipélago entre o Canal de Beagle e o Cabo Horn, Tehuelche na Patagônia, muitos povos no literal, guaycurúes e que fica no Chaco. Os guaranis haviam se expandido em grandes áreas da América do Sul, mas se instalaram nas províncias nordestinas da Argentina. A nação Toba (Komlek) e os Diaguita, que incluíam os Calchaqui e os Quilmes, viviam no Norte e os Comechingones, no que hoje é a província de Córdoba. Os Charrúa (que incluía o Minuane), yaros, Bohán e Chaná (e Chaná-Timbú) eram pessoas localizadas no território atual de Entre Ríos e o Querandí em Buenos Aires.

No final do século XV, as tribos nativas da Quebrada de Humahuaca foram conquistadas pelo Império Inca, sob o comando de Topa Inca Yupanqui, para assegurar o fornecimento de metais como prata, zinco e cobre. A dominação inca da área durou cerca de meio século e terminou com a chegada dos espanhóis em 1536.

Era colonial espanhola
Os europeus chegaram pela primeira vez à região com a 1502 viagem portuguesa de Gonçalo Coelho e Amerigo Vespucci. Por volta de 1512, João de Lisboa e Estevão de Fróis descobriram o Rio de La Plata na atual Argentina, explorando seu estuário, contatando o povo Charrúa e trazendo as primeiras notícias do "povo das montanhas", o império Inca, obtido dos nativos locais. Eles também viajaram para o sul até o Golfo de San Matias, no 42ºS, na costa norte da Patagônia. Os espanhóis, liderados por Juan Díaz de Solís, visitaram o território que hoje é a Argentina em 1516. Em 1536, Pedro de Mendoza estabeleceu um pequeno povoado na moderna localização de Buenos Aires, abandonada em 1541.

Um segundo foi estabelecido em 1580 por Juan de Garay e Córdoba em 1573 por Jerônimo Luis de Cabrera. Essas regiões faziam parte do Vice-reinado do Peru, cuja capital era Lima, e os colonos chegaram daquela cidade. Ao contrário das outras regiões da América do Sul, a colonização do estuário do Rio da Prata não foi influenciada por nenhuma corrida do ouro, uma vez que faltava qualquer metal precioso para o meu.

Os portos naturais do estuário do Rio da Prata não podiam ser usados ​​porque todos os embarques eram feitos através do porto de Callao, perto de Lima, uma condição que fazia com que o contrabando se tornasse o meio normal de comércio em cidades como Assunção, Buenos Aires. e Montevidéu.

Os espanhóis elevaram o status desta região ao estabelecer o Vice-reinado do Rio da Prata em 1776. Esse vice-reinado consistia na atual Argentina, Uruguai e Paraguai, bem como grande parte da atual Bolívia. Buenos Aires, agora mantendo os costumes da nova subdivisão política, tornou-se um porto florescente, como as receitas de Potosí, a crescente atividade marítima em termos de bens, em vez de metais preciosos, a produção de gado para a exportação de couro e outros produtos e outras razões políticas tornaram-se gradualmente um dos centros comerciais mais importantes da região.

O vice-reinado foi, no entanto, de curta duração devido à falta de coesão interna entre as suas muitas regiões e falta de apoio espanhol. Navios da Espanha tornaram-se escassos novamente após a derrota espanhola na batalha de Trafalgar, que deu a supremacia marítima britânica. Os britânicos tentaram invadir Buenos Aires e Montevidéu em 1806 e 1807, mas foram derrotados pelas duas vezes por Santiago de Liniers. Essas vitórias, alcançadas sem ajuda da Espanha continental, aumentaram a confiança da cidade.

O início da Guerra Peninsular na Espanha e a captura do rei espanhol Fernando VII criaram grande preocupação em torno do vice-reinado. Pensou-se que, sem um rei, as pessoas na América deveriam se governar. Essa ideia levou a várias tentativas de remover as autoridades locais de Chuquisaca, La Paz, Montevidéu e Buenos Aires, todas de curta duração. Uma nova tentativa bem-sucedida, a Revolução de Maio de 1810, ocorreu quando se informou que toda a Espanha, com exceção de Cádiz e León, havia sido conquistada.

Guerra da independência
A Revolução de Maio derrubou o vice-rei. Outras formas de governo, como uma monarquia constitucional ou uma Regência, foram brevemente consideradas. O vice-reino também foi renomeado, e tornou-se nominalmente as Províncias Unidas do Rio da Prata. No entanto, o status dos diferentes territórios que haviam pertencido ao vice-reino mudou muitas vezes durante o curso da guerra, já que algumas regiões permaneceriam leais a seus governantes anteriores e outras foram capturadas ou recapturadas; mais tarde, estes seriam divididos em vários países.

As primeiras campanhas militares contra os monarquistas foram travadas por Manuel Belgrano e Juan José Castelli. A Primera Junta, depois de se expandir para se tornar a Junta Grande, foi substituída pelo Primeiro Triunvirato. Um segundo triunvirato iria substituí-lo anos depois, pedindo a Assembleia do ano XIII que deveria declarar independência e redigir uma constituição. No entanto, também não o fez, e substituiu os triunviratos por um único chefe de estado, o Supremo Diretor.

Por esta época José de San Martín chegou a Buenos Aires com outros generais da Guerra Peninsular. Deram nova força à guerra revolucionária, marcada pela derrota de Belgrano e Castelli e pela resistência monarquista da Banda Oriental. Alvear tomou Montevidéu e San Martín iniciou uma campanha militar que abrangia uma parte importante dos territórios espanhóis na América. Ele criou o Exército dos Andes em Mendoza e, com a ajuda de Bernardo O'Higgins e outros chilenos, fez a travessia dos Andes e libertou o Chile. Com a marinha chilena à sua disposição, ele se mudou para o Peru, libertando o país também. San Martín conheceu Simón Bolívar em Guayaquil e se retirou da ação.

Uma nova assembleia, o Congresso de Tucumán, foi convocada enquanto San Martín preparava a travessia dos Andes. Por fim, declarou independência da Espanha ou de qualquer outra potência estrangeira. A Bolívia declarou-se independente em 1825 e o Uruguai foi criado em 1828 como resultado da Guerra Cisplatina.

O Reino Unido reconheceu oficialmente a independência da Argentina em 1825, com a assinatura de um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação em 2 de fevereiro; o encarregado de negócios britânico em Buenos Aires, Woodbine Parish, assinou em nome de seu país. O reconhecimento espanhol da independência argentina não viria por várias décadas.

Guerras civis argentinas
A derrota dos espanhóis foi seguida por uma longa guerra civil entre unitaristas e federalistas, sobre a organização do país e o papel de Buenos Aires. Os unitaristas pensavam que Buenos Aires deveria liderar as províncias menos desenvolvidas, como o chefe de um governo fortemente centralizado. Os federalistas pensavam que o país deveria ser uma federação de províncias autônomas, como os Estados Unidos. Durante este período, o governo iria sequestrar manifestantes e torturá-los por informações.

Durante este período, as Províncias Unidas do Rio de la Plata não tinham um chefe de Estado, uma vez que a derrota unitarista na Batalha de Cepeda havia acabado com a autoridade dos Diretores Supremos e com a Constituição de 1819. Houve uma nova tentativa em 1826 para escrever uma constituição, levando à designação de Bernardino Rivadavia como Presidente da Argentina, mas foi rejeitada pelas províncias. Rivadavia renunciou devido à má gestão na Guerra da Cisplatina, e a constituição de 1826 foi revogada.

Durante esse período, os governadores da província de Buenos Aires receberam o poder de administrar as relações internacionais da confederação, incluindo a guerra e o pagamento da dívida. A figura dominante desse período foi o federalista Juan Manuel de Rosas, que é retratado de diferentes ângulos pelos diversos fluxos historiográficos da Argentina: a história liberal geralmente o considera um ditador, enquanto os revisionistas o apoiam com base em sua defesa da soberania nacional.

Ele governou a província de Buenos Aires de 1829 a 1852, enfrentando ameaças militares de tentativas de secessão, países vizinhos e até países europeus. Embora Rosas fosse federalista, ele mantinha as receitas alfandegárias de Buenos Aires sob o controle exclusivo da cidade, enquanto as outras províncias esperavam ter uma parte da receita. Rosas considerou isso uma medida justa porque apenas Buenos Aires estava pagando a dívida externa gerada pelo empréstimo do Baring Brothers para Rivadavia, a guerra da independência e a guerra contra o Brasil. Ele desenvolveu uma força paramilitar própria, a Sociedade Popular de Restauração, comumente conhecida como "Mazorca" ("Espiga de milho").

A relutância de Rosas em convocar uma nova assembleia para redigir uma constituição levou o general Justo José de Urquiza, de Entre Ríos, a se voltar contra ele. Urquiza derrotou Rosas durante a batalha de Caseros e convocou tal assembleia. A Constituição argentina de 1853 é, com emendas, ainda em vigor até hoje. A Constituição não foi imediatamente aceita por Buenos Aires, que se separou da Confederação; voltou alguns anos depois. Em 1862, Bartolomé Mitre tornou-se o primeiro presidente do país unificado.