Guerras Russo-Turcas

Guerras Russo-Turcas

Guerras Russo-Turcas

Guerras russo-turcas é o termo empregado para designar a série de conflitos entre a Rússia e o império otomano durante o período que vai do fim do século XVII ao século XIX e que tiveram como consequência a expansão das fronteiras russas na Europa e na Ásia. Entre 1676 e 1878 ocorreram 12 conflitos.

Com o declínio do império otomano, os czares procuraram ampliar as fronteiras da Rússia à custa da Turquia e avançar em direção a Constantinopla, capital imperial, apesar dos esforços da diplomacia europeia.

Travadas em geral nas regiões dos Balcãs, da Criméia e do Cáucaso, as primeiras guerras foram provocadas por rivalidades estritamente russo-turcas. No século XIX, no entanto, os conflitos passaram a atrair cada vez mais o interesse das potências européias, que neles intervieram de várias formas. Chegaram a participar da guerra da Criméia (1853-1856) ao lado do império otomano e exerceram pressões diplomáticas tão fortes sobre a Rússia depois da guerra de 1877-1878 que as conquistas militares russas foram consideravelmente reduzidas.

Apesar disso, como resultado geral das guerras russo-turcas, a Rússia estendeu suas fronteiras até o mar Negro e o rio Prut, na Europa, e para além das montanhas do Cáucaso, na Ásia. Ao terminar a guerra de 1877-1878, a Rússia havia contribuído significativamente para a independência da Sérvia e da Romênia, então sob o jugo do império otomano, e tornara-se um importante competidor na disputa pelo domínio político desses países, bem como pelo que restava dos Balcãs otomanos.

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Guerras Greco-turcas

Guerras Greco-turcas

Guerras Greco-turcas

Denominam-se guerras greco-turcas dois conflitos entre a Grécia e a Turquia, ocorridos em 1897 e em 1921-1922. A primeira guerra greco-turca, também chamada guerra dos trinta dias, originou-se da interferência da Grécia nos conflitos entre cristãos e muçulmanos da ilha de Creta, então sob domínio turco. Em 1896 irrompeu uma rebelião em Creta, fomentada em parte por uma sociedade nacionalista secreta grega chamada Ethniki Etairia. Tropas gregas desembarcaram para auxiliar os rebeldes e a Grécia valeu-se da oportunidade para anexar a ilha.

A antiga rivalidade entre Grécia e Turquia sempre constituiu fator de tensão na já explosiva região dos Balcãs, o que levou as potências europeias a interferirem energicamente nesses conflitos.

As grandes potências, contudo, apoiavam a autonomia de Creta. Tropas gregas, comandadas pelo príncipe Constantino, atacaram a Turquia em abril de 1897, o que provocou uma contra-ofensiva e a pronta ocupação de Larissa, na Tessália. O governo de Atenas submeteu-se às grandes potências, retirou suas tropas de Creta e, pelo tratado de paz de 1897, indenizou a Turquia e aceitou uma retificação na fronteira norte em benefício do adversário. Depois de muitos distúrbios, os turcos retiraram-se de Creta, em 1898, e os gregos da ilha aceitaram a autonomia.

Guerra de 1921-1922
A origem da segunda guerra greco-turca foi o Tratado de Sèvres, em 1920, que entregou à Grécia a Trácia oriental. Os turcos, liderados por Kemal Ataturk, recusaram-se a ratificar o acordo. A situação complicou-se com a morte do rei Alexandre e a volta ao trono de seu pai, rei Constantino, que fora forçado a renunciar pelos aliados, em virtude de sua política pró-germânica.

Em 1921, forças gregas mal equipadas lançaram uma ofensiva na Anatólia, mas tiveram de recuar ante poderosa contra-ofensiva turca, que obteve expressiva vitória às margens do rio Sakarya. Seguiram-se, em 1922, os grandes triunfos turcos de Afyon e Esmirna. O armistício de Mudania, em 1922, estabeleceu as bases para as conversações de paz de Lausanne.

Em consequência da guerra, o rei grego Constantino foi deposto e vários de seus ministros executados. Pelo Tratado de Lausanne, em 1923, a Grécia perdeu a Trácia oriental e aceitou o rio Maritsa como fronteira oriental. As minorias grega e turca foram transferidas para seus países de origem e teve início o governo de Kemal Ataturk, na Turquia, após a abolição do sultanato.

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Feudalismo no Período Medieval

Feudalismo no Período Medieval

Feudalismo no Período MedievalO Feudalismo nasceu depois que o império Romano virou picadinho por causa das invasões bárbaras no século V. Entretanto, os invasores bárbaros não liquidaram completamente a civilização romana. Na verdade, as novas sociedades que surgiram na Europa foram o resultado da mistura de elementos da sociedade romana com elementos da sociedade dos invasores germânicos.

Para entender o feudalismo, temos que lembrar que a história existe mesmo. O que queremos dizer com isso? Que a economia funcionava de um modo totalmente diferente de hoje, quando vivemos num mundo capitalista. Lembre bem, no feudalismo investir e lucrar não eram os objetivos econômicos.

A sociedade feudal era basicamente rural. Isso quer dizer que quase todas as pessoas viviam no campo. O trabalho na agricultura era pesado e cansativo, mas os trabalhadores camponeses ficavam com poucos frutos. O motivo ‚ que as terras pertenciam a uns poucos privilegiados, os nobres. Os nobres, também chamados de senhores feudais, eram proprietários do feudo. Eles tinham uma vida mansa. Moravam no castelo, não trabalhavam nem um pouco e passavam boa parte do dia se empanturrando de comida e bebida. Usavam boas roupas, gostavam de ouvir a música dos trovadores e eram grandes guerreiros, utilizando pesadas armaduras no campo de batalha. É claro que essa mordomia toda só era possível porque o senhor feudal (o nobre) vivia à custa do trabalho dos servos.

Os servos não eram escravos, pois não pertenciam aos nobres. Não podiam ser vendidos para outro senhor feudal. Mas também não eram livres a ponto de ir procurar emprego onde quisessem. Portanto, ainda não existiam anúncios classificados na porta dos castelos. Os camponeses servos tinham direito a usar um pedaço de terra do feudo para cultivar para si e para criar alguns animais. Observe que o senhor feudal não fazia nenhum investimento, e até mesmo os instrumentos de trabalho (foices, machados, ancinhos,bois para movimentar o arado) pertenciam aos servos. No final, os servos acabavam ficando apenas com uma parte do que haviam produzido, pois deviam muitas obrigações feudais ao nobre. Vida dura, a dos servos. trabalhavam como mulas e, sempre ameaçados pelo fantasma da fome, dormiam perto do chiqueiro e acordavam com os bichos. O feudo era, antes de tudo, uma grande propriedade rural, um latifúndio. O trabalho era todo realizado pelos servos. Eles tinham que cultivar a área senhorial ( de 30% a 40% da área total do feudo). Havia ainda as terras comunais, utilizadas tanto pelo senhor (por intermédio do trabalho dos servos domésticos quanto pelos camponeses. Essa área servia de pastagem a animais, colheita de frutas e madeira e era exclusiva para a caça do nobre. O senhor feudal morava em seu castelo, em geral um confortável casarão de madeira. Só no apogeu do feudalismo, e pertencentes a grandes senhores, que os castelos seriam de pedra. Os camponeses moravam mesmo em barracos de barro e palha, pulguentos e gelados. Sem televisão para fazer esquecer a própria miséria. A economia do feudo tendia a ser de subsistência, ou seja, o feudo geralmente produzia apenas para a sobrevivência das pessoas que viviam nele. A produtividade era baixa e por isso sobrava pouco para comerciar. O que nos leva a concluir que o comércio e as cidades (que dependem da comida produzida no campo) eram pouco desenvolvidos.

As obrigações feudais
Os senhores feudais exploravam descaradamente os servos. Aparentemente, havia uma comunidade entre eles (e não um contrato assinado, como há no capitalismo): os servos trabalhavam enquanto o senhor lhes dava proteção em caso de guerra e abrigo em caso de calamidade. Na prática havia mesmo ‚ coerção: o nobre tinha a seu serviço um bando de cavaleiros mal-encarados e armados até os dentes, prontos para meter a espada no servo desdentado metido a desobediente. Assim, o servo devia diversas obrigações aos senhores feudais. As mais destacadas eram:

• Corvéia. Trabalho de graça do servo, alguns dias por semana, em área senhorial. Também havia a obrigação de construir pontes, reparar o castelo, elogiar o nobre e dizer que ele era muito inteligente e generoso...

• Talha. O servo devia entregar ao senhor feudal parte de sua colheita (uns 10%) e uma O importante quantidade fixa de aves, mel, ovos, porcos, objetos de madeira e lã.

• Banalidades. Inúmeras taxas, criadas a inúmeros pretextos, e que não eram nada banais. Podiam ser taxas pelo uso do moinho, do forno, lagar (tanque para espremer uvas e fazer vinho), multas, impostos para comprar equipamentos militares e mais outros tantos.A fragmentação Política

No apogeu do feudalismo, entre os séculos IX e XIII, a Europa estava dividida em inumeráveis feudos. Cada um deles era um minimundo isolado, com suas próprias leis, cobranças de impostos, força armada. Todos esses feudos, claro, seguiam a vontade dos seus proprietários nobres. O rei, portanto, não passava de um grande nobre, com pouca autoridade além do próprio feudo. Não tinha controle sobre todos os súditos. A hierarquia feudal teve origem nas guerras do passado, ainda no tempo das invasões bárbaras. Um grande chefe militar vencedor distribuía as terras conquistadas para seus auxiliares mais próximos, que assim se tornavam seus vassalos.

Os vassalos tinham a obrigação de dar apoio militar ao seu suserano (o chefe que lhes tinha cedido um feudo), de pagar o resgate se ele fosse capturado numa batalha, de puxar o saco dele e rir de suas piadas sem graça. Os vassalos também podiam distribuir parte de suas terras para pessoas que seriam, por sua vez, seus vassalos, e assim por diante, numa corrente que unia desde os senhores feudais mais poderosos, até a pequena nobreza. Repare que os servos, de certa maneira, eram o grau mais baixo da hierarquia da vassalagem.

A Igreja católica e o feudalismo
A Igreja católica era extremamente poderosa. Em primeiro lugar, porque a maioria das pessoas era católica fervorosa. Depois, porque a Igreja era rica, dona de vastos feudos. Muitos de seus bens vinham de doações que nobres deixavam em testamento. Geralmente, os altos postos eclesiásticos (da Igreja) eram preenchidos por filhos da nobreza. Ou seja, a cúpula da Igreja e os nobres pertenciam à mesma classe dominante, a dos senhores feudais. A Igreja também dominava a vida cultural. Assim como os servos se subordinavam aos senhores, a vida cultural era serva dos padres. Os clérigos (homens da Igreja ) eram das poucas pessoas que sabiam ler. Numa época em que não havia televisão nem programas de auditório, a Igreja era uma grande fonte de informação e até de lazer. Tudo o que se dizia e se pensava devia ter a autorização dela. Quem a contrariasse era considerado um herege (inimigo do cristianismo) e atirado numa masmorra fria e úmida ou numa quente e sequinha fogueira. Como se vê, a Igreja tinha um importante papel político. Ela era aliada dos senhores feudais e muitas das ideias que difundia serviam para tornar as pessoas mais obedientes aos nobres. Nos sermões dos padres, os camponeses ouviam abobrinhas do tipo "é preciso se conformar com a pobreza, pois foi Deus quem a desejou". É por isso que muitas revoltas sociais contra a exploração feudal foram consideradas heresias. Outra ideia difundida era a de que a sociedade feudal seria eterna, pois teria sido Deus que desejou que "uns rezassem (a Igreja), outros combatessem (os nobres) e outros trabalhassem (os servos)". Desse modo, os trabalhadores estavam subjugados pela espada e pela cruz.

A justiça feudal
Imagine que um servo se sentisse injustiçado pelo senhor feudal. A quem ele iria reclamar? Àquele que controlava as leis e julgamentos no feudo, ou seja... o próprio senhor feudal! O nobre poderia, gentilmente, propor para "deixar o julgamento nas mãos de Deus". como seria isso? O servo deveria segurar um ferro em brasa, ou então ser amarrado a uma pedra enorme e atirado no fio: diziam que se ele fosse inocente Deus não o deixaria queimar-se ou afogar-se... Dá para perceber que poucos servos conseguiam o que queriam.

Novas forças econômicas
A partir do século IX a economia feudal europeia começou a se desenvolver com firmeza. Já não existiam mais os ataques dos povos bárbaros nem as pestes (epidemias de doenças mortais) que tanto tinham preocupado a Europa nos séculos anteriores. Descobertas tecnológicas permitiram o crescimento da produção. Isso resultou em mais comida e bebida na mesa, melhores roupas e mais objetos - não só para os nobres mas até para alguns servos. É fácil reparar que essa melhoria nas condições de existência estimulou o crescimento da população. O efeito também foi inverso: mais gente, mais produção, mais desenvolvimento econômico. Muitos feudos começaram a produzir excedentes, ou seja, mais do que precisavam para manter sua sobrevivência física. Era possível então vender esse excedente e, com o dinheiro obtido, comprar outras coisas, vindas de outras regiões. Dá para perceber que por causa disso, o comércio cresceu um bocado. As moedas, muito úteis no comércio, adquiriram maior importância. Quanto mais desenvolvido é o mundo das mercadorias, maior o poder do dinheiro. Quanto mais poderoso é o dinheiro, mais frágeis são os homens. Era comum os comerciantes se reunirem em alguns locais para trocar mercadorias, informações e moedas, para beber e contar vantagens sobre suas conquistas amorosas. Tratava-se das feiras medievais. Algumas dessas feiras ficaram tão importantes que se tornaram permanentes e deram origem a cidades.

Nas cidades vivia a maioria dos comerciantes e artesãos, que vendiam ou faziam as mercadorias que os nobres tanto apreciavam. A cidade e o campo foram especializando suas atividades econômicas. Ou seja, enquanto o campo se dedicava principalmente à agricultura e à criação de animais, as cidades começaram a concentrar os artesãos e comerciantes. Os nobres apreciavam sua mercadorias vendidas pelos comerciantes e artesãos, e não hesitavam em botar a mão na bolsa e pagar em ouro. Com isso, claro, as cidades foram crescendo e enriquecendo. Como muitas delas ficavam dentro das terras dos nobres, também tinham que pagar tributos feudais. Mas a partir do século XIV muitas cidades tinham se tornado ricas o bastante para se libertar dos senhores feudais e obter plena autonomia. As cidades medievais, cercadas de muralhas de proteção, tinham o nome de burgos. Nelas, moravam os trabalhadores e a classe social que estava nascendo e que daria muito o que falar: a burguesia.

A crise do século XIV
No século XIV, aconteceu a primeira grande crise do feudalismo. Simplesmente, a economia feudal não consegui mais produzir o suficiente para alimentar a população que crescia cada vez mais. É fácil entender. Os senhores feudais não investiam em tecnologia. Por causa disso, o aumento da produção agrícola tinha vindo, principalmente do desbravamento de novas terras. Chegou um momento em que não havia mais terras disponíveis para ampliar o cultivo. Veio, então, a fome. Para piorar, os nobres e os reis aumentaram os impostos. Como sempre, os pobres é quem pagaram o pato, sem comer tal pato. Aliás, sem comer quase nada. O comércio italiano com os árabes levou para a Europa tapetes, porcelana, especiarias e ... a PESTE NEGRA. Os burgos estavam entulhados de gente que vivia em casebres mergulhados em esgotos e habitados por certos animaizinhos domésticos sorridentes e peludos como ratos. Como você sabe, os ratos podem transmitir muitas doenças. Foi o que aconteceu. A peste bubônica fez seus estragos: quase 40% da população do continente morreu. Foi uma catástrofe demográfica. A população da Europa só voltaria a ser a mesma no século XVII. Cidades inteiras foram abandonadas. A mão fria da morte fez faltar mão-de-obra nos feudos. As rendas dos senhores feudais caíram. Muitos deles tiveram que vender seus bens para pagar o que deviam aos banqueiros. Pra se segurar, a nobreza caiu de sola em cima dos mais fracos: aumentou o número de tributos sobre os servos humildes e descalços. Estouraram então muitas rebeliões camponesas. As mais famosas foram as jacqueries, na França. Os camponeses invadiam os castelos e tomavam tudo o que podiam. Depois, dividiam entre si as terras do senhor feudal.

Até quando durou o feudalismo?
A burguesia e as relações de produção capitalistas germinaram por volta dos séculos XI e XII, quando começou um intenso crescimento urbano e comercial. Elas foram se desenvolvendo no interior do feudalismo como uma praga que cresceu até destruir a sociedade feudal. Quando essa destruição final aconteceu? No momento das revoluções burguesas. Foram elas que garantiram o triunfo do capitalismo e da burguesia. Na Inglaterra, por exemplo, a revolução ocorreu em 1640-1689. Na França, em 1789-l8l4. Na Europa, no Japão e nos Estados Unidos o capitalismo afirmou seu domínio pleno durante o século XIX.

Feudalismo
A produção tende a ser de subsistência.
A principal propriedade é imóvel: a Terra, o feudo. O senhor feudal a domina, e por isso pode cobrar tributos dos servos. Mas não investe praticamente em nada.
O servo tem o usufruto da terra mas não é livre: está submetido às obrigações feudais. Pode ser proprietário de alguns instrumentos de trabalho.
Coação política: o servo se submete principalmente porque o senhor feudal conta coma força das armas e da Igreja.
Produção com o objetivo de sustentar o Domínio dos senhores feudais.
Senhores feudais x servos
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Grandes Navegações


Grandes Navegações

Grandes Navegações
Descobrimentos
Até chegar à exploração do espaço sideral, o homem levou muitos séculos para descobrir e percorrer os caminhos da Terra, muitas vezes encontrando a morte nessa busca, frequentemente apoiada em informações, instrumentos e equipamentos ainda precários.

Dá-se o nome de descobrimentos à expansão marítima europeia do começo do século XV ao fim do XVIII, que resultou no conhecimento da maior parte da África e da Ásia e na revelação de continentes ignorados: as Américas e a Oceania. O intercâmbio comercial com a Índia e a China, já alcançado pela antiguidade clássica, havia retrocedido na Europa medieval, assim como a informação geográfica sobre essas e outras regiões. As Canárias, descobertas por franceses nas primeiras décadas do século XIV, eram as antigas ilhas Afortunadas do mundo greco-romano. E o descobrimento pelos viquingues, no fim do século X, da Groenlândia e da América setentrional ficara esquecido bem antes do desaparecimento, no começo do século XV, da pequena cristandade groenlandesa.

O desejo de expansão teve várias causas: a busca das lendárias riquezas da Índia, da China e do Japão, estimulada pelos relatos de Marco Polo e de viajantes posteriores; a cobiça pelo ouro, o marfim e os escravos africanos; a luta contra o Islã e os anseios de catequizar infiéis e pagãos; e, por fim, a curiosidade científica. No caso específico de Portugal, pesou também o fato de cedo haverem sido cerceadas, pelo crescente poderio de Castela, as possibilidades de expansão territorial da monarquia lusa na península ibérica.

Ao ciclo das navegações atlânticas seguiram-se as que devassaram o Pacífico, tendo em comum a procura de passagem entre os dois oceanos. Daí decorreu a exploração do oceano Ártico, que prosseguiu ainda no século XX. A exploração do oceano Antártico originou-se de longa busca que, ao invés de uma mítica Terra Australis, levou primeiro ao descobrimento dos arquipélagos da Polinésia e da Austrália.

Ciclo atlântico. Até que Colombo levasse Castela a se empenhar na expansão oceânica, o ciclo atlântico foi uma empresa quase exclusivamente portuguesa. Sob o patrocínio do infante D. Henrique o Navegador e dos reis de Portugal a partir de D. João II, em três quartos de século os navegantes lusos redescobriram a ilha da Madeira, ultrapassaram o cabo Não e o Bojador, ambos no noroeste da África, e pacientemente exploraram a costa ocidental desse continente. Ao dobrar o cabo da Boa Esperança, Bartolomeu Dias assegurou a viabilidade do acesso marítimo à Índia pela África, confirmada pelas informações de Pero da Covilhã sobre as rotas da navegação moura entre Sofala, em Moçambique, e aquele país. Contudo, antes de Vasco da Gama, Cristóvão Colombo, tomando como trampolim as Canárias (pertencentes a Castela desde o Tratado de Alcáçovas, em 1479, com Portugal), descobrira ilhas antilhanas na altura onde imaginava estarem as Índias.

A demarcação do papa Alexandre VI em favor dos reis católicos foi alterada pelo Tratado de Tordesilhas, de 1494, diante das reclamações de D. João II, que não queria perder o fruto das navegações anteriores, pois tudo indicava que Colombo encontrara, senão as próprias Índias, pelo menos terras próximas. Isso explica as possíveis viagens pré-cabralinas ao oeste e as de João Caboto que, ao descobrir e explorar extenso litoral da América do Norte, julgou ter chegado a Catai (China). O descobrimento do Brasil por Cabral, precedido em terras americanas por espanhóis (Ojeda, Pinzón) que seguiam as pegadas de Colombo, deve ter sido um reconhecimento de regiões consideradas, pelos portugueses, de pouca importância, uma vez que já conheciam o caminho das Índias. Mesmo assim não deixaram de explorá-las e foram provavelmente os primeiros a alcançar o estuário do rio da Prata. Na América setentrional, João Caboto e Gaspar Corte Real descobriram e exploraram, para Portugal, a costa do Labrador e da Terra Nova.

Por volta de 1520, o navegador português João Álvares Fagundes seguiu a costa, da extremidade da Nova Escócia ao estreito de Canso, margeou a ilha do Cabo Bretão, de oeste para leste, e o sul da Terra Nova até o cabo Race. Parece ter descoberto a ilha de Fundy e mesmo a foz do São Lourenço. Seguiram-se as primeiras tentativas portuguesas de povoamento na América setentrional.

Em meados do século XVI, portugueses e espanhóis haviam fixado, depois de muitas viagens de exploração, as grandes linhas do contorno da América: ao sul, ambas as costas até o estreito de Magalhães; ao norte, a do Atlântico até o Labrador e a do Pacífico até a Califórnia. Mesmo que Drake tenha realmente atingido, no fim do mesmo século, um ponto da costa do atual Oregon, esse extremo só foi ultrapassado no fim do século XVIII, quando James Cook e George Vancouver exploraram o litoral da futura Colúmbia Britânica. Coube aos russos, em prosseguimento a sua secular expansão na Sibéria, patrocinar a descoberta do estreito de Bering e explorar a costa noroeste da América. As feitorias russas estenderam-se do litoral do Alasca ao norte da Califórnia, defrontando-se com o povoamento espanhol. Somente no século XIX a exploração do Ártico e do norte do Canadá permitiu um conhecimento melhor de grande parte da América setentrional.

Passagem entre a América e a Ásia. Antes da expedição de Vasco da Gama (1497-1499), os portugueses já sabiam da primeira viagem de Colombo, mas não se empenharam na busca de uma passagem pelo oeste que os levasse à Índia. Ingleses, espanhóis, franceses e holandeses, verificando o caráter continental da América, procuraram um estreito, mar ou rio que a varasse, conduzindo-os à Ásia. O descobrimento do Pacífico por Vasco Nuñez de Balboa levou os espanhóis a buscarem esse caminho no golfo do México e, depois da viagem de Fernão de Magalhães, no rio da Prata. Receosa de que ingleses e franceses encontrassem a passagem na costa atlântica da América do Norte, em 1524 a Espanha enviou, para descobri-la, o português Estêvão Gomes, que explorou o litoral daquele continente desde a Flórida até a ilha dos Bacalhaus (Labrador).

A conquista do México e do Peru, com o conseqüente desenvolvimento da mineração de metais preciosos, e o fracasso das explorações terrestres de Cabeza de Vaca e Hernando de Soto -- embora percorressem grande parte do interior do continente -- detiveram a expansão da Espanha ao norte da Flórida, a partir de onde Giovanni da Verrazzano, Jacques Cartier e Jean-François Roberval, a serviço da França, prosseguiram na busca da passagem. Verrazzano explorou a costa nordeste da América do Norte, acreditando ter encontrado um mar asiático, erro que a cartografia manteve por mais de meio século. Cartier e Roberval pensaram que o São Lourenço levasse a terras asiáticas ou, pelo menos, a ricos reinos indígenas, como o lendário Saguenay. O fracasso dessas esperanças resultou no abandono do Canadá pela França, até o começo do século XVII. Drake pretendeu encontrar na costa californiana um acesso para o Atlântico, ilusão desfeita apenas no fim do século XVIII por Cook e Vancouver.

Passagem do Noroeste. Já antes da descoberta do Pacífico, Sebastião Caboto, a serviço da Inglaterra, tentou chegar a Catai por um caminho que supunha existir ao noroeste das terras da América setentrional então conhecidas, mas foi detido pelo gelo. No fim do século XVI destacaram-se as viagens dos ingleses Sir Martin Frobisher, John Davis, Henry Hudson e William Baffin, seguidas de muitas outras, até que, em 1850, Robert McClure descobriu no Ártico o estreito que tem seu nome e que somente no começo do século XX foi transposto pelo explorador norueguês Roald Amundsen. A recolonização da Groenlândia ocorreu a partir do século XVIII, por iniciativa da Dinamarca.

Passagem do Nordeste. Em 1553, sob a inspiração de Sebastião Caboto, organizou-se na Inglaterra uma campanha comercial para enviar uma expedição que descobrisse um caminho marítimo do nordeste da Europa até Catai. O porto de Varde, perto do cabo Norte, era então o ponto extremo conhecido no Ocidente. Enquanto os tripulantes de dois navios que haviam alcançado a Nova Zembla pereciam de frio, na costa da Lapônia, Richard Chancellor penetrou no mar Branco e surpreendeu-se ao saber que estava na Rússia. Foi de Arkhangelsk a Moscou e iniciou o comércio da companhia com o czar Ivan III. O holandês Willem Barents, à procura de Chancellor, foi até a ilha de Spitsbergen, invernando em Nova Zembla. Finalmente, em 1878-1879, o sueco Adolf Erik Nordenskjöld conseguiu ir do Atlântico ao Pacífico. Só a partir de 1932 tornou-se possível, com o uso de navios especiais e de quebra-gelos cruzar de uma só vez, durante umas poucas semanas cada ano, o trecho Murmansk-Vladivostok.

Expansão europeia no Extremo Oriente. Uma década após sua chegada à Índia, os portugueses, graças a informações e mapas de navegantes mouros, alcançaram as ilhas das especiarias, onde estabeleceram seu domínio. No século XVI, com base em rotas já conhecidas no Oriente, atingiram a China e o Japão, onde se limitaram a criar entrepostos comerciais. A partir do fim desse século, ingleses e holandeses se apoderaram de quase todo o comércio oriental de Portugal. Em 1663, a Índia portuguesa era um remanescente do império que dominara as rotas das especiarias. Apesar das informações colhidas pelos missionários jesuítas, o nordeste da Ásia permaneceu quase desconhecido na Europa até as viagens de Vitus Bering.

Pacífico Sul e Terra Australis. Depois da viagem de Magalhães, os espanhóis descobriram e colonizaram, a partir de 1521, as Filipinas, a que denominavam ilhas de São Lázaro. Andrés de Urdaneta descobriu a rota que permitia voltar, com ventos favoráveis, de Manila a Acapulco. Os portugueses, no século XVI, à exceção do descobrimento parcial da costa da Nova Guiné (1526), limitaram-se à navegação do arquipélago da Malásia, em busca de especiarias. Os principais arquipélagos do Pacífico sul ficavam fora da rota do México às Filipinas; muitos foram descobertos pelas expedições espanholas saídas de portos do Peru e pelos holandeses e ingleses, vindos pelo estreito de Magalhães ou pelo cabo Horn.

Desde meados do século XVI, procurou-se a Terra Australis, continente que se estenderia do pólo sul aos trópicos. De Magalhães, que nele não acreditou, a Cook, foi essa busca que levou aos descobrimentos mais importantes no Pacífico, induzindo os cartógrafos a interpretarem como pertencentes a essa terra os pontos de desembarque e os sinais registrados, em diversas partes, pelos navegantes. Como os navios a vela não conseguiam enfrentar no Pacífico os ventos do oeste, só podiam explorar o sul do trópico os que viessem naquela direção. O primeiro arquipélago importante descoberto foram as ilhas Salomão, por Álvaro de Mendaña (1567), que saíra de Callao. Em outra viagem, descobriu as Marquesas (1595-1596), e Pedro Fernández de Quirós, seu piloto na segunda viagem, em 1606 descobriu as Novas Hébridas (hoje Vanuatu), que julgou serem o continente buscado, ao qual deu o nome de Australia del Espírito Santo, nela pretendendo fundar a cidade de Nova Jerusalém. Na volta ao México, um dos navios de Quirós, comandado por Torres, seguiu o rumo sudoeste-noroeste, comprovou ser a Nova Guiné uma ilha e atravessou o estreito que a separa da verdadeira Austrália e tem o nome de seu descobridor. A falta de divulgação dessa viagem fez Cook, ao atravessar em 1770 esse litoral, julgar havê-lo descoberto.

No século XVII, holandeses da Companhia das Índias Orientais descobriram por acaso o litoral oeste da Austrália. Continuaram, porém, as confusões cartográficas, que levaram a considerá-la como ilha unida à Nova Guiné, procurando-se alhures a Terra Australis. Abel Tasman, incumbido pela companhia de reconhecer as terras austrais, em busca de ouro ou comércio, bem como de rota mais curta para o Chile, descobriu a costa da Tasmânia (1642), que denominou Terra de Van Diemen, e o litoral oeste da Nova Zelândia, pensando ter chegado ao "continente austral". Costeou grande parte da Nova Holanda (Austrália), sem perceber que era a Terra Australis. Em 1768 Louis-Antoine de Bougainville atravessou o Pacífico, explorando uma área triangular e as ilhas Salomão, cuja localização se perdera, e descobriu Tahiti e Samoa. Cook, em suas três expedições, foi o primeiro a atravessar o círculo antártico. Só ficaram por descobrir alguns arquipélagos polinésios de menor importância. Somente com Matthew Flinders (1802-1803) foi definitivamente conhecido todo o contorno da Austrália.

Consequências dos grandes descobrimentos. A expansão marítima europeia iniciou uma fase de crescente interdependência mundial, em proveito das nações colonizadoras, que dominaram o mundo política, econômica e culturalmente até 1914. Tal hegemonia foi total na América, cuja população indígena, dizimada na maior parte, só sobreviveu na medida em que pôde adaptar-se às novas condições de vida impostas pelos conquistadores. A África negra foi devastada demográfica e culturalmente pelo tráfico negreiro, que forneceu milhões de escravos ao Novo Mundo. A partir do século XVIII e sobretudo no XIX, a Ásia oriental (exceto o Japão) e a Oceania ficaram submetidas aos interesses políticos e econômicos do Ocidente. O Atlântico e o Pacífico predominaram desde então no comércio mundial.

Na Europa, o afluxo do ouro e da prata da América, do século XVI ao XVIII, superou em muito o do ouro africano do século XV e influenciou poderosamente as transformações econômicas, sociais e políticas, das quais a burguesia foi a principal beneficiária. Os produtos tropicais originários do Novo Mundo (algodão e fumo) ou nele introduzidos (açúcar) tornaram-se fonte de riqueza para minorias de colonos europeus e suas respectivas metrópoles, generalizando-se seu consumo na Europa e mesmo em outros continentes, a exemplo do fumo na África e na Ásia. Plantas alimentícias americanas como a batata e o milho melhoraram a dieta popular europeia. Generalizou-se o consumo de especiarias, os produtos de luxo orientais difundiram-se e geraram imitações (porcelana). E a geografia, as ciências biológicas, a história e a etnografia enriqueceram-se enormemente.

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